Um homem morreu e outras oito pessoas ficaram feridas durante um tiroteio na madrugada deste domingo 9 na Feira Multissetorial de Apodi (Femulti), realizada na Praça Dom José Freire, no centro da cidade, na região Oeste do Rio Grande do Norte.O tiroteio começou após uma briga entre dois homens. Um deles, um guarda municipal de 41 anos, lotado em Mossoró, sacou uma pistola calibre .40 e efetuou vários disparos. De acordo com a Polícia Militar, o caso ocorreu por volta das 3h, durante o show da banda Lagosta Bronzeada na última noite do evento. Os dois foram atingidos. Cássio Fagner Marinho da Costa, de 39 anos, natural de Apodi, morreu no local. Segundo informações da Polícia Civil, o guarda municipal teria atirado na vítima e acabou se ferindo com a própria arma durante a confusão.A pistola calibre .40, pertencente à Guarda Municipal de Mossoró, foi apreendida. O suspeito foi preso em flagrante. Ele foi baleado no tórax e no abdômen, socorrido inicialmente para o Hospital Hélio Marinho, em Apodi, e depois transferido para o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró.Outras sete pessoas — quatro homens e três mulheres — também foram atingidas por disparos de arma de fogo. Pelo menos dez ambulâncias foram mobilizadas para o atendimento. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros realizaram o socorro das vítimas, que foram levadas para o hospital de Apodi. Parte delas precisou ser transferida para Mossoró.A maioria dos ferimentos foi registrada nos membros inferiores, como coxa, perna e pé. Durante a confusão, várias pessoas foram pisoteadas.A Polícia Civil abriu investigação para apurar as circunstâncias do caso.
Brasil inicia descarbonização de Fernando de Noronha com projeto Noronha VerdeI. Iniciativa lançada por Alexandre Silveira busca eliminar uso de diesel e transformar o arquipélago em modelo latino-americano de energia limpa
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), anunciou neste sábado (8) o início do projeto Noronha Verde, que marca o ponto de partida da transição energética de Fernando de Noronha para uma matriz limpa e renovável. A medida representa uma das principais entregas do Brasil para a COP30, consolidando o compromisso do país com a descarbonização e a segurança energética em áreas de alto valor ambiental. O plano prevê substituir progressivamente o uso do diesel na geração de energia do arquipélago, reforçando o protagonismo brasileiro na agenda global de sustentabilidade. Durante a cerimônia de lançamento, Alexandre Silveira destacou o impacto histórico da iniciativa. “Hoje, o Brasil inicia o processo de desligamento de uma térmica que consome 8,6 milhões de litros de óleo diesel por ano. Isso é uma mudança de paradigma: aquilo que durante tanto tempo castigou parte do Nordeste, o sol forte, hoje é uma grande fonte de energia para o nosso país”, afirmou. O ministro ressaltou ainda o avanço tecnológico envolvido. “Com a entrada das baterias, nós passamos a ter capacidade real de armazenamento. Vamos, literalmente, poder ‘estocar o vento’ das nossas eólicas e prolongar o tempo do sol, porque a energia que ele gera durante o dia poderá ser armazenada e utilizada depois. É assim que garantimos segurança ao nosso sistema. Avançar nas renováveis é essencial, mas precisamos avançar com segurança energética”. Investimento e metas do projeto Com investimento estimado em R$ 350 milhões, o Noronha Verde contempla a construção de uma usina solar fotovoltaica integrada a um sistema de armazenamento em baterias (BESS), além da ampliação da usina solar flutuante instalada no Açude do Xaréu. O conjunto das ações permitirá reduzir de forma significativa a dependência do arquipélago do uso de diesel, promovendo eficiência, estabilidade e menor impacto ambiental.A estimativa é de que a substituição do combustível evite o consumo anual de aproximadamente 8,6 milhões de litros de óleo diesel, o que resultará em redução de emissões de CO₂ e menor custo logístico de abastecimento. Essa economia também impactará positivamente a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que subsidia o fornecimento de energia em locais isolados, reduzindo encargos para o setor elétrico nacional. Sustentabilidade e licenciamento ambiental O projeto está em conformidade com o Planejamento dos Sistemas Isolados (SISOL), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e autorizado pela Portaria MME nº 818/2024, que define a expansão da geração renovável em Fernando de Noronha. O licenciamento ambiental é conduzido pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), com anuência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), garantindo que o processo ocorra dentro dos padrões de preservação e respeito ao patrimônio natural da ilha.Pernambuco como referência em turismo sustentável. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), enfatizou a relevância da iniciativa para o desenvolvimento regional. “Hoje, damos um passo fundamental para que Noronha seja reconhecida como destino sustentável, capaz de atrair investimentos e empresas que queiram associar sua marca a uma matriz energética limpa. É uma decisão estratégica, política e de futuro, que acredita no potencial de Pernambuco e do nosso turismo”, afirmou. O evento contou ainda com a presença do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, do secretário nacional de Transição Energética, Gustavo Ataíde, além de representantes da concessionária de energia e do grupo internacional controlador.Cronograma de execução O Noronha Verde será implementado em duas etapas: 2026: entrada parcial em operação, com cerca de 16% da capacidade total instalada 2027: conclusão da infraestrutura completa de geração e armazenamento Com essa iniciativa, o governo brasileiro pretende transformar Fernando de Noronha em referência latino-americana em energia limpa e descarbonização, reforçando a imagem do país como líder em transição energética justa e sustentável. Fonte: Brasil 247 Foto : Alexandre Silveira (Foto: Tauan Alencar/MME)
A politização da morte. A população pobre, preta e favelada segue duplamente refém das facções e das forças policiais
Os institutos de pesquisa Quaest e Datafolha indicaram que grande parte da população do Rio de Janeiro aprovou a megaoperação policial, realizada na terça-feira da semana passada (28/10), mesmo diante do saldo trágico de mais de cem mortes, incluindo pessoas sem envolvimento com o crime.Essa aprovação refletiu o esgotamento de uma sociedade submetida à barbárie cotidiana imposta por facções criminosas e milícias que controlam amplos territórios.A operação, determinada pelo governador Cláudio Castro (PL-RJ), teve nítido caráter político e eleitoreiro. Castro, além de almejar uma vaga para o Senado em 2026, está em julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico e político praticado nas eleições de 2022, podendo ser cassado e ficar inelegível. A ação policial contribuiu para elevar sua popularidade, que estava em baixa por sua má gestão. Em certa medida, o apoio popular após a megaoperação sangrenta lhe concedeu sobrevida política.Em ato contínuo, Cláudio Castro, movido por interesses de autopromoção, anunciou publicamente à mídia que determinará a realização de novas operações policiais. Tal postura, contudo, viola o princípio elementar do sigilo operacional que deve orientar ações voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas. Operações dessa natureza exigem discrição absoluta, uma vez que a antecipação de informações compromete o fator surpresa, elemento estratégico essencial para impedir reações armadas, fuga de alvos e destruição de provas. Exemplos bem-sucedidos, como a operação Carbono Oculto ou a recente Freedom, realizada na Bahia, ilustram a eficácia de ações silenciosas e tecnicamente planejadas, que alcançaram os núcleos armados e os ativos financeiros do Comando Vermelho sem recorrer à letalidade nem ao espetáculo midiático. Essa popularidade fabricada, entretanto, tende a se esvair à medida que o ministro Alexandre de Moraes apresentar o relatório da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que avalia a legalidade e os limites constitucionais dessas práticas policiais. Um governo que adota métodos de combate ao crime organizado em flagrante contradição com os princípios do Estado de Direito, a exemplo do que ocorre em El Salvador sob a presidência do ditador Nayib Bukele, instaura um modelo de aparente eficiência repressiva que, no entanto, compromete as bases da democracia. Ainda que o regime salvadorenho tenha obtido resultados imediatos na contenção de atividades criminosas, tais medidas foram acompanhadas pela consolidação de um Estado de Exceção permanente, marcado pela suspensão de garantias constitucionais, prisões arbitrárias e desrespeito sistemático ao devido processo legal. Importar tal modelo significa corroer as estruturas democráticas sob o pretexto da segurança pública. Nesse sentido, a megaoperação ordenada por Cláudio Castro parece ter se inspirado no paradigma do “bukelismo”, ao reproduzir a lógica do autoritarismo travestido de eficiência, em que a força bruta substitui o planejamento e o respeito às normas constitucionais. Esse paradigma autoritário tem orientado o discurso da extrema-direita brasileira, que busca capitalizar o sentimento de insegurança e o desgaste da população diante da escalada da violência, convertendo esse mal-estar numa narrativa politizada segundo a qual medidas punitivas e espetaculares, ainda que essencialmente letais e incapazes de atingir o núcleo estrutural das organizações criminosas seriam as únicas eficazes. Nesse cenário sombrio, os governadores Cláudio Castro (PL-RJ), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Jorginho Melo (PL-SC), Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG) ao reivindicarem para a direita a exclusividade no “bom combate” à criminalidade, acabam, por outro lado, por desqualificar a abordagem federal de enfrentamento ao crime, pautada por metodologias mais estratégicas. Essa política prioriza ações integradas voltadas à desarticulação das estruturas financeiras e logísticas das organizações criminosas, buscando esvaziá-las de forma estrutural, e não apenas por meio de confrontos imediatos. Outra estratégia igualmente perigosa adotada pela direita e pela extrema direita consiste em promover uma narrativa que deliberadamente confunde os conceitos de crime organizado e terrorismo, buscando equiparar facções criminosas, como o Comando Vermelho e o PCC, ao denominado narcoterrorismo. Essa proposta é defendida por governadores e parlamentares bolsonaristas, como Flávio Bolsonaro, e tem sido respaldada por iniciativas de evidente inconstitucionalidade, a exemplo do envio, pelo governador Cláudio Castro, de um relatório aos Estados Unidos solicitando a classificação do Comando Vermelho como organização narcoterrorista. Tal iniciativa viola princípios constitucionais fundamentais, uma vez que compete exclusivamente à União, por meio de seus canais diplomáticos, conduzir relações e tratativas internacionais. Trata-se, portanto, de uma manobra política destinada a reforçar a agenda eleitoral de 2026 e a desgastar o Executivo federal. Há, contudo, uma distinção conceitual e jurídica profunda entre o crime organizado e o narcoterrorismo, tanto em seus objetivos quanto em suas formas de atuação. Enquanto o crime organizado visa primordialmente o lucro e a manutenção de atividades ilícitas de caráter econômico, o narcoterrorismo possui motivação política e ideológica, buscando desestabilizar instituições e impor pautas de poder por meio da violência. Com o intuito de institucionalizar essa confusão conceitual, foi apresentado o Projeto de Lei nº 1.283/2025, de autoria do deputado Danilo Forte (União/CE), que propõe a equiparação das facções criminosas a grupos terroristas. Por ora, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) adiou a votação do projeto. Entretanto, os governadores Cláudio Castro, Tarcísio de Freitas, Jorginho Mello, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, inconformados com o adiamento, solicitaram uma reunião de urgência com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a fim de pressionar pela inclusão da proposta na pauta da próxima semana. A insistência da extrema direita em fundir essas categorias atende a um propósito eminentemente político: fomentar o medo social e justificar alterações legislativas que ampliem o poder coercitivo do Estado. Em contraposição, o governo federal manifestou-se veementemente contrário à equiparação entre crime organizado e narcoterrorismo, apresentando o Projeto de Lei nº 5.582/2025, a ser analisado em regime de urgência, que “propõe alterações na legislação brasileira para endurecer o combate às organizações criminosas e facções criminosas” sem recorrer a distorções conceituais. Essa retórica de caráter inconstitucional, além de fragilizar a autonomia nacional, reproduz a lógica geopolítica dos Estados Unidos, país que instrumentaliza o discurso do combate ao narcoterrorismo como ferramenta de controle político e econômico sobre a América Latina. A eventual adoção desse modelo no Brasil não apenas comprometeria a soberania nacional, como também exporia o país
Tornado destrói 90% de cidade no Paraná e causa seis mortes
Imagens aéreas da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, mostram bairros inteiros destruídos pelo tornado que passou pela região Centro-Sul do estado na noite desta sexta-feira (7). Dados da Defesa Civil apontam que 90% da área urbana de Rio Bonito do Iguaçu sofreu algum estrago na infraestrutura, seis pessoas morreram, duas estão desaparecidas e 432 estão feridas. A tempestade foi classificada como tornado de categoria F3 com ventos que chegaram a até 250 quilômetros por hora, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). O governador do estado, Ratinho Junior, informou que estuda decretar estado de emergência para facilitar a reconstrução dos locais atingidos pela tempestade.“Em Rio Bonito do Iguaçu praticamente as pessoas hoje não tendo aonde dormir mais. Nós já estamos preparando desde ontem à noite alojamentos”, disse.De acordo com Ratinho Junior, o Simepar ainda estuda o grau de força do fenômeno que atingiu Rio Bonito destruindo grande parte da cidade. “Nos últimos 30, 40 anos não tinha se visto um tornado com essa força. Difícil realmente alguma casa, até mesmo algum prédio comercial, fiquem de pé. Nós vimos aí muitas vezes silos gigantescos indo ao chão, postos de gasolina. Foi uma catástrofe sem muito precedente na história do estado do Paraná”, afirmou o governador.Equipes do governo federal foram enviadas ao local para auxiliar no apoio as vítimas e estudar a reconstrução das áreas atingidas. Houve colapsos estruturais, danos à malha viária e à rede elétrica, o que deixou parte da população sem energia. O hospital de Laranjeiras do Sul, próximo à Rio Bonito do Iguaçu, ficou lotado e atendeu mais de 200 pessoas. Ao todo, nove pessoas estão com ferimentos graves. Fonte: Agência Brasil
Entenda próximos passos do processo contra Bolsonaro no STF. Por unanimidade, Primeira Turma manteve condenação do ex-presidente
Por unanimidade, a Primeira Turma decidiu nesta sexta-feira (7) manter a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão e de mais seis réus na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista. Por 4 votos a 0, os ministros do colegiado rejeitaram os chamados embargos de declaração, recursos protocolados pelas defesas para tentar reverter as condenações e evitar a execução das penas em regime fechado. O placar desfavorável não levará o ex-presidente e seus aliados para a prisão imediatamente. A princípio, Bolsonaro e outros réus não têm direito a um novo recurso para levar o caso para o plenário, composto por 11 ministros, incluindo André Mendonça e Nunes Marques, que foram indicados pelo ex-presidente, e Luiz Fux, que votou pela absolvição de Bolsonaro. Contudo, as defesas devem insistir na tentativa de apresentá-lo. Para conseguir que o caso fosse julgado novamente pelo pleno, os acusados precisavam obter pelo menos dois votos pela absolvição, ou seja, placar mínimo de 3 votos a 2 no julgamento realizado no dia 11 de setembro e que condenou os acusados. Nesse caso, os embargos infringentes poderiam ser protocolados contra a decisão. No entanto, o placar pela condenação foi de 4 votos a 1. A prisão dos acusados só será decretada após o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, declarar o trânsito em julgado da ação penal, ou seja, o fim do processo e da possibilidade de recorrer. Não há prazo para a decisão. Prisão Atualmente, o ex-presidente está em prisão cautelar em função das investigações do inquérito sobre o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. Se prisão for decretada por Moraes, o ex-presidente iniciará o cumprimento da pena definitiva pela ação penal do golpe no presídio da Papuda, em Brasília, ou em uma sala especial na Polícia Federal. Os demais condenados são militares e delegados da Polícia Federal e poderão cumprir as penas em quartéis das Forças Armadas ou em alas especiais da própria Papuda. Diante do estado de saúde de Bolsonaro, a defesa também poderá solicitar que o ex-presidente seja mantido em prisão domiciliar, como ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor. Condenado pelo Supremo em um dos processos da Operação Lava Jato, Collor foi mandado para um presídio em Maceió, mas ganhou o direito de cumprir a pena em casa, sob monitoramento de tornozeleira eletrônica, por motivos de saúde. Condenados Além de Bolsonaro, também tiveram os recursos negados o ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de 2022, Walter Braga Netto; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, assinou delação premiada durante as investigações e não recorreu da condenação. Ele já cumpre a pena em regime aberto e retirou a tornozeleira eletrônica. Fonte: Agência Brasil Foto:Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil